terça-feira, 31 de julho de 2007

primeiras respostas de muitas que estão por vir

Outro recorte, esse do blog do Fernando Rodrigues (). Primeiras respostas para as primeiras perguntas(ver post abaixo), Outras virão, é preciso dar tempo ao tempo.

"Senadores aprovaram diretores da Anac com
elogios e quase sem nenhum questionamento


Hoje o governo reclama da qualidade dos diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Palácio do Planalto e oposição falam a mesma língua. Senadores, deputados e ministros criticam a baixa qualidade dos integrantes da autarquia. Mas o cenário foi bem diferente em 15 de dezembro de 2005 (embora o Senado tenha se equivocado e redigido "15 de novembro" na ata da reunião), quando foram aprovados os nomes dos integrantes desse poderoso organismo.

Realizou-se nessa data a sessão na Comissão de Infra-Estrutura do Senado para sabatinar de uma vez quatro dos cinco diretores da Anac _como determina a Constituição. Deveriam ser fortemente inquiridos, mas não o foram. A sessão de 2 horas e 19 minutos resultou apenas em uma ação entre amigos, com troca de elogios, conversas amenas, piadas e votos de feliz ano novo _era o último dia de trabalho dos senadores antes das festas de fim de ano.

A transcrição da sessão de sabatina dos diretores da Anac revela com crueza a incapacidade do Senado na hora de cumprir uma de suas missões: investigar verdadeiramente se os indicados pelo Palácio do Planalto estão à altura do desafio de regular um determinado setor da economia.

Veja abaixo como os senadores se comportaram diante da indicação de Denise Abreu, Leur Lomanto, Milton Zuanazzi e Jorge Velozo para a Anac.


(leia os detalhes aqui: http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2007-07-29_2007-08-04.html#2007_07-30_18_08_40-100696682-0 )



A "sabatina" que não existiu

Mesmo com os relatórios epidérmicos sobre os indicados para a diretoria da Anac, nada impediria senadores de oposição de participar da sessão da Comissão de Infra-Estrutura. Depois das exposições dos currículos, começaria a sabatina.

Curiosamente, nada foi perguntado aos 3 indicados de fora do setor. Só o coronel aviador Velozo recebeu duas perguntas, mas foram genéricas (sobre o que ele achava que aconteceria com a Varig e sobre o estado da segurança dos vôos).

Poucos senadores falaram _e só para fazer enaltecer os indicados. Até porque o interesse de alguns ali era só votar e ir embora, sem prestar atenção no que era dito durante a sessão.

Escrito por Fernando Rodrigues às 18h08
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Seria de rir, se não fosse triste...

O deputado e o casamento da filha do Alckmin

Esta é demais. Recortei do blog do josias (http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/) que reproduziu a coluna da Mônica Bergamo na Folha de São Paulo de hoje, demonstra até onde podemos ir quando se trata da não existência de limites entre o público e o privado:

"31/07/2007
‘Normalidade’, ‘discernimento’ e ‘sensibilidade’

É irrefreável o instinto de certos políticos de ter à sua disposição tudo o que o dinheiro –do contribuinte— pode comprar. Pilhado num ato de mordomia explícita, o deputado estadual tucano Vaz de Lima concedeu uma entrevista à coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha). Nota-se em cada palavra o extraordinário esforço empreendido por Sua Excelência para não parecer o que realmente é. Ao final, verfica-se que ele acabou sendo precisamente o que parece. Leia:

Chapa branca : O deputado estadual Vaz de Lima (PSDB), presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, usou um carro oficial para ir ao casamento de Sophia Alckmin e Mário Ribeiro, na noite de sexta. O veículo, um Astra preto, levou o político e a mulher Ivani ao mosteiro de São Bento, local da cerimônia. O deputado falou à coluna:



- O senhor usou um carro oficial da Assembléia para ir ao casamento?
Eu sou o presidente da Assembléia, era uma representação.

- Mas um casamento não é um evento oficial.
Pelo menos essa tem sido a normalidade. Não vi nada que pudesse me impedir, entendeu? Tenho meu carro, tenho tudo, mas não vi nada de irrelevante [sic] nessa história. Cada um tem que ter o seu juízo no momento.

- E o senhor não considerou isso [o uso do carro oficial] um problema?
Tanto não considerei que fui. Não vi nenhum problema. O indivíduo tem que ter discernimento. Eu tento distinguir isso da melhor maneira possível. Vou te dar um exemplo: ontem eu levei meu neto ao teatro. "Catei" meu carro e fui, claro. Não poderia ir de outra forma. Antes de ontem, teve aniversário da filha de um assessor. Fui com meu carro pessoal. É preciso ter sensibilidade.

Que diferença existe entre o aniversário da filha de um assessor e o casamento da filha do ex-governador Alckmin?
Na minha avaliação, eu iria encontrar o mundo político todo lá [no casamento de Sophia Alckmin]. Eu não imaginei que isso pudesse ser um problema."

segunda-feira, 30 de julho de 2007

segundas reflexões: primeiras perguntas

Perguntas que não querem e não podem calar;
1) Quem é responsável pela transformação do aeroporto de Congonhas em centro da malha aérea brasileira, mesmo após todos os grandes aeroportos localizados em grandes centros, como o de Orly, na França e Pampulha em BH terem sido redefinidos e passarem a receber apenas pequenas aeronaves de vôos regionais?
2) Quem é responsável pela fato de a pista do aeroporto de Congonhas não ter uma área de escape, uma espécie de "acostamento", para emergências e ainda assim, continuar a receber todo o tipo e tamanho de aeronaves?
3) Quem é responsável por "deixar" que o entorno do aeroporto de Congonhas fosse totalmente ocupado por construções de todo o tipo, inclusive postos de gasolina e hotéis de 11 andares?
4) Quem é responsável pela criação de "agências reguladoras" do tipo ANAC, com mandatos que garantem uma estabilidade que nem o presidente da república tem?
5) Quem é responsável pela ploriferação de orgãos de "comando" na área da aviação no Brasil, que nada comandam e não conseguem se entender nas mínimas questões, como por exemplo na crise com os controladores de vôo que se arrastou por meses e meses?
6) Quem é responsável pelo fato de as cias aéreas priorizarem os lucros sobre tudo o mais?
7) Quem é responsável pelo acidente que envolveu o Legacy e o boeing da Gol?
8) Quem é responsável pela afirmação de que o acidente do Legacy e da Gol teria alguma ligação com o acidente da Tam?
9) Quem é o responsável pela tentativa de se incriminar o governo federal como responsável direto pelo acidente da Tam, antes de qualquer dado objetivo sobre as causas do acidente?
10) Quem é responsável pela reação imobilista do governo federal nas primeiras 72 horas após o acidente? E, especialmente, pelo fato de NINGUÉM (especialmente o chefe do governo) governo federal se deslocar para São Paulo para manifestar solidariedade com as vítimas e demonstrar que tudo seria apurado?
11) Quem é responsável pelo fato de que tudo isto foi acontecendo ao longo do tempo e a "sociedade" não tenha se manifestado, por exemplo pedindo o fechamento do aeroporto de Congonhas?

Sem comentários

Do Uai.com.br: notícias do Brasil:

"Segunda-feira 30 de julho de 2007 17:37
Mãe sai para boate e bebê morre sozinho em casa
Agência Estado
O recém-nascido Pedro Caíque, de sete meses de idade, foi encontrado morto dentro de uma residência, no bairro da Jatiúca, zona norte de Maceió. De acordo com a Polícia Militar de Alagoas o garoto havia sido abandonado pela mãe, Tatiana Evelin de Sousa Sena, de 18 anos. Em depoimento, a mãe do bebê disse que alimentou o bebê por volta de 1 hora do domingo e saiu para uma boate em Jaraguá, quando retornou o garoto já havia falecido.
Tatiana foi detida por abandono de pessoa incapaz e conduzida para a Delegacia de Plantão III, no bairro de Jaraguá. Segundo os policiais que efetuaram a prisão, ela tentou reagir e, juntamente com o tio Antônio Marcos Ferreira da Silva, de 22 anos, partiu para agredir os soldados.
O corpo do bebê foi levado para o Instituto Médico Legal Estácio de Lima para que fosse determinada a causa da morte. Após a necropsia, o cadáver deve ser liberado para o sepultamento. Caíque Pedro era o quarto filho de Tatiana."

18 anos, quarto filho, Jatiúca, Maceió, Brasil. Vida que segue...

primeiras reflexões

As discussões no Brasil costumam ser apressadas e superficiais. Exercitamos uma espécie de culto às conclusões fáceis e simplificadas. Quase sempre em busca de um bode expiatório, que nos tranquilize. O preço é alto; quase sempre isto nos impede de enxergar e colocar a nú os verdadeiros problemas, as causas primárias, as conexões entre fatos, entre erros, as distinções entre falhas, fatalidades, má fé, imprudências, negligências e canalhices de todo o tipo. O caminho mais rápido é a catarse coletiva, o linchamento midiático, a fogueira purificadora. Nossos males são sempre causados pelos outros. A responsabilidade é sempre de alguém etéreo, um ser "tipo ideal", para voltarmos ao velho Max Weber. Nossas tragédias servem para um culto coletivo de expiação escondida dos nossos erros. Chora-se pelo bons e pelos maus motivos. Chora-se de dor sincera, de consternação justa e justificável, de humanismo pleno, de identificação solidária com a dor alheia e com a nossa dor. Mas chora-se também como forma de tentar eximirmo-nos das nossas responsabilidades. Chora-se como se todos fôssemos alheios ao que se passa por aí. Adoramos crucificar; se possível que alguém crucifique por nós. Adoramos nos indignar, mas que seja rápido, que náo nos exija muito, que não nos tome tempo e energia, que não nos cobre reflexões, que não nos imponha descobrir todo o processo. Todo o processo? Aí é pedir muito, pois precisamos nos olhar no espelho e nem sempre podemos ou temos coragem para isso. Esse, o pano de fundo. No proscênico a tragédia se desenrola com o enredo costumeiro. Politização (no sentido da partidarização, do interesse eleitoral, da disputa mesquinha por espaço) de todos os aspectos envolvidos nos problemas. As responsabilidades são direcionadas aos adversários, de um lado ou de outro. As culpas não têm históricos. As decisões não tem autores. As cobranças são feitas de acordo com os interesses. Todos mentem, alguns são mais cobrados. Todos jogam para o público. Alguns são apontados jogando. Todos torcem para que o outro seja o culpado. Alguns são mostrados fazendo isto. É evidente que as responsabilidades devem ser dirigidas, identificadas e cobradas - ética e legalmente - de quem as tem, em todos os níveis (governos (em todos os planos, atuais e anteriores, gerentes e diretores de agências que "fingem" fiscalizar, empresas que colocam o lucro em primeiro lugar sobre todo e qualquer outro valor etc). Mas é necessário irmos além, refletirmos um pouco mais sobre tudo isto. Os mortos merecem, os vivos também. Continuemos...

terça-feira, 17 de julho de 2007

de volta

Ufa, atendendo as reclamações de meus dois ou três leitores (fico sempre na dúvida sobre o número correto), voltei. Estava de férias, dez dias, resquício (ainda bem) da herança getulista e do chamado populismo. Ninguém é de ferro né? Mas agora é hora de voltar pro batente. Tantos assuntos, tantas novidades, mas confesso que nenhuma me sensibilizou muito a ponto de escrever aqui sobre ela: vaias no Lula? vitória sobre a argentina? a novela Renan? a labirintite da Fátima? Sei lá, acho que vou escrever alguma coisa sobre um dos livros que li nas férias: "Gracias por el fuego!", de Mário Benedetti, um uruguaio. Mas só amanhã, que ainda estou meio de férias.

terça-feira, 26 de junho de 2007

errei

Desculpem-me meus dois ou três leitores, mas eu errei. O que não é raro. A moça, que aliás se chama Sirley Dias de Carvalho Pinto, que foi covardemente agredida pelas cinco "crianças" no Rio não tem 28 anos, tem 32. Mas este detalhe não muda o essencial: cadê a ampla indignação contra este bárbaro crime. Ou ficaremos ouvindo os pais dos marmanjos dizendo as aberrações que já disseram? Ah, só pra lembrar: os que agrediram o índio Galdino em Brasília anos atrás também eram cinco e também sairam-se com a pérola: "achamos que era um mendigo". Se não me engano, dos cinco, quatro estão soltos e só um preso. Assistiremos a um replay?