quarta-feira, 28 de março de 2007
sobre negros e brancos
Infeliz. Esse o melhor adjetivo para a declaração "não é racismo quando um negro se insurge contra um branco", dada pela Ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. De cara ela contraria -a declaração- o próprio nome da Secretaria. Afinal não é para promover a igualdade racial que ela foi criada? Mas claro, que o buraco é sempre mais em baixo. Óbvio que o Brasil, que foi o último país do mundo abolir a escravidão tem uma dívida histórica enorme e terrível para com os negros. É uma chaga que não pode ser esquecida, não por sentimento de culpa, mas principalmente porque as consequências pesam até hoje em nossa sociedade, que permanece racista, discriminadora e excludente em relação aos pobres, sejam eles negros ou brancos, mulatos ou cafusos. No entanto, resumir o problema hoje a um conflito racial é, no mínimo, demagogia. E, no máximo, temerário. A Ministra, responsável por promover a igualdade racial, foi além. Para ela, é natural um negro não querer conviver com um branco, pois "quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou". Ai foi demais. Primeiro, por óbvio, que uma geração não é responsável direta pelo que se fez em outras gerações. Segundo, a boa historiografia mostra que, infelizmente, parcelas dos negros africanos se beneficiaram da escravização de seus "irmãos" e, muitas vezes, contribuíram diretamente na captura dos futuros escravos. Assim, é triste ver a simplificação contida nas infelizes palavras da Ministra.
segunda-feira, 26 de março de 2007
fundamentalismo apedreja mulheres
Assim caminha a humanidade:
"Sudanesas são condenadas à morte por apedrejamento
Agência ANSA
Terça-feira, 20/03/2007 - 22:31
Cartum - Duas mulheres sudanesas foram condenadas à morte por apedrejamento por terem cometido adultério, ao final de um processo em que não foram auxiliadas por um advogado e que foi julgado em árabe, que não é a língua-mãe das sudanesas, conforme informou hoje a Anistia Internacional, organização sediada em Londres que defende os Direitos Humanos.Sadia Idriss Fadul foi condenada no dia 13 de fevereiro, e Amouna Abdallah Dldoum no dia 6 de março. As sentenças podem ser executadas a qualquer momento, segundo um comunicado da organização.As duas mulheres pertencem a uma tribo que não fala árabe, mas os processos, realizados no estado central de Ghezira, se desenvolveram em árabe e sem a presença de intérpretes.A Anistia Internacional acrescentou que "uma das mulheres, Sadia Idriss Fadul, está com um de seus filhos na prisão com ela".O homem que foi processado com Fadul foi solto porque não havia provas suficientes contra ele."
Esses julgamentos e condenações ABSURDAS são comuns em vários países que seguem, ortodoxamente, o islamismo, como a Nigéria e o Irã. É ou não é um prato cheio para questionarmos o relativismo cultural que tenta aparecer como politicamente correto, com um discurso de respeito à todas as culturas etc etc etc?
"Sudanesas são condenadas à morte por apedrejamento
Agência ANSA
Terça-feira, 20/03/2007 - 22:31
Cartum - Duas mulheres sudanesas foram condenadas à morte por apedrejamento por terem cometido adultério, ao final de um processo em que não foram auxiliadas por um advogado e que foi julgado em árabe, que não é a língua-mãe das sudanesas, conforme informou hoje a Anistia Internacional, organização sediada em Londres que defende os Direitos Humanos.Sadia Idriss Fadul foi condenada no dia 13 de fevereiro, e Amouna Abdallah Dldoum no dia 6 de março. As sentenças podem ser executadas a qualquer momento, segundo um comunicado da organização.As duas mulheres pertencem a uma tribo que não fala árabe, mas os processos, realizados no estado central de Ghezira, se desenvolveram em árabe e sem a presença de intérpretes.A Anistia Internacional acrescentou que "uma das mulheres, Sadia Idriss Fadul, está com um de seus filhos na prisão com ela".O homem que foi processado com Fadul foi solto porque não havia provas suficientes contra ele."
Esses julgamentos e condenações ABSURDAS são comuns em vários países que seguem, ortodoxamente, o islamismo, como a Nigéria e o Irã. É ou não é um prato cheio para questionarmos o relativismo cultural que tenta aparecer como politicamente correto, com um discurso de respeito à todas as culturas etc etc etc?
sexta-feira, 23 de março de 2007
Ah, os postos
Coisa curiosa. Há duas semanas atrás o capitalismo funcionava em Belo Horizonte que era uma maravilha. Calma, refiro-me apenas aos postos de gasolina. Uma competição danada de boa. Preços que variavam de R$2,499 a R$2,018. Era só procurar o posto com o preço menor, encher o tanque e correr para o abraço. De repente, há uma semana, uma surpresa. TODOS os postos praticavam o mesmo preço. O menor? Não idiota, o maior. É a economia, estúpido, como dizia o nosso -digo, deles-, consultor de marketing do Clinton, James Carville. Antigamente dava-se a isso o nome de cartel. Aliás, o mais publicável deles. Até agora, além de um inquérito do Ministério Público par apurar a "possível formação de cartel", nada. Adam Smith, aquele que dizia que era melhor proibir os empresários de frequentarem o mesmo Clube, para não que não combinassem preços, deve estar se revirando no túmulo. Isto é que é auto-suficiência!!!
quarta-feira, 21 de março de 2007
Sobre a TV estatal, ou como se confundir cinta com funda
Ah, eis o velho tema de volta. O governo Lula anunciou, através do indefectível ministro Hélio Costa -ex fantástico-, a intenção de se unificar as diversas estruturas de TV "pública" espalhadas pelo país em uma só, que daria origem a uma rede nacional do poder executivo brasileiro. Foi o que bastou para o estouro da boiada. Veja, Estadão, Globo, Folha, etc etc, caíram de pau e, como sempre fazem quando o assunto tangencia a questão de quem pode e de quem não pode informar/formar no Brasil, misturam tudo, distorcem e acusam uma ameaça à liberdade de imprensa. Ora, vamos com calma. Primeiro, que todos os poderes já possuem algum meio de comunicação que divulga suas ações e projetos. Normal. Segundo, que todos os governos no mundo também fazem algum tipo de imprensa oficial. Normal. Terceiro, que ninguém é obrigado a assistir o que não quer. Alás, um parênteses: não são estes mesmos veículos que martelam sempre na liberdade de escolha dos leitores/telespectadores quando se discute qualquer normatização para o setor. Fecha-se o parênteses. Quarto, que a idéia não colide em nada com a permanência do setor privado de distribuição de notícias. Estrutura-se somente uma, digamos assim, uma voz oficial, que concorrerá com as outras vozes. Ou com os donos das outras vozes. Normal. Quinto, por que a gritaria então. Normal. O uso do cachimbo deixou muitas bocas tortas. Cismaram que receberam um mandato divino como monopolizadores da informação, da edição e da formação de opinião. Normal.
quarta-feira, 14 de março de 2007
reforma política e a vox populi, vox dei
A Fundação Perseu Abramo, ligada politicamente ao PT, divulgou recentemente uma extensa pesquisa de opinião, realizada em dezembro passado, sobre um conjunto de temas políticos brasileiros. Dois dados chamam a atenção dos analistas e curiosos em geral. O primeiro é que em sua ampla maioria os eleitores não querem saber de reforma política. Aparentemente, estão satisfeitos com a legislação e as normas atuais. Nada de fidelidade partidária, nada de financiamento público de campanhas, nada de lista fechadas por partidos, nada de voto distrital etc etc etc. Curioso né? Será que estes dados refletem a distância que separa o pensamento político e a população? Ou será que falta debate e esclarecimento e estaríamos vivendo o mesmo tom da discussão sobre a chamada transposição do velho chico. Em que se fala muito e não se esclarece nada. Nem os que são a favor, nem os que são contra. E os argumentos são puramente "emocionais"? O segundo é que apesar de ver no PT um número maior de "corruptos", o partido continua sendo o mais citado como preferido pelos eleitores. De novo um problema, um paradoxo ou a mesma confusão conceitual sobre tudo. A questão é saber até que ponto o debate racional é possível nos chamados espaços públicos existentes no país: jornais, rádios, tvs, internet, partidos etc. Voltaremos ao tema.
terça-feira, 13 de março de 2007
voltei 2
Acho que foi o velho e embalsamado Wladimir Illich Ulianov, o Lênin, quem teria dito que não haveria diferenças entre fundar ou assaltar um banco. Sei não, mas que no Brasil a frase pode ter lá suas razões, isso tem. A Folha de domingo e outros jornais trouxeram matérias sobre os lucros bancários no país e, pasmem, as tarifas praticadas por estas instituições filantrópicas subiram estratosféricamente nos últimos anos. Anos de inflação baixíssima e juros caindo. A receita de tarifas bancárias do Unibanco aumentou 629% em termos reais entre dezembro de 1993 e o mesmo mês do ano passado. A do Itaú, 491%. A do Bradesco, 351%. E a do Banco do Brasil, 247%. Nem vou me dar ao trabalho de quantificar isto em milhões de reais. Iria cansá-los sobremaneira. Mas é muito dinheiro, que eu você, todos nós pagamos religiosamente à banca. Um bom exercício seria levantarmos aonde estão trabalhando os ex-ministros da fazenda de governos anteriores, ex-presidentes do Banco Central, ex-diretores do mesmo banco etc etc etc. Durma-se com este barulho. Voltaremos ao assunto.
voltei 1
Após uma longa e tenebrosa ausência, motivada por problemas técnicos quase insolúveis, voltei. Claro que isto não causou nenhuma comoção, ao contrário: meus pouquíssimos leitores talvez nem tenham se dado conta de tão insignificante acontecimento; ou não-acontecimento. Bom, mas já que voltei, espero não decepcionar os poucos, porém bons. Hoje acordei disposto a esculhambar a mediocridade. E para isto, nada melhor que a notícia que foi publicada hoje na bbcbrasil.com.br. Na Inglaterra, uma pesquisa indicou o Paulo Coelho com um dos 7 autores mais comprados e menos lidos no velho reino unido. Explica-se. A pesquisa mostra que mais de 70% dos compradores de livros têm um objetivo muito claro ao comprá-los: decoração. Confesso que na minha juventude li de tudo, ainda leio. Li inclusive o "Diário de um Mago", movido pela novidade e pela curiosidade. Que fui perdendo, perdendo, perdendo. Hoje se me falam da "literatura" de PC, "saco logo o revólver", como diziam todos os que são anti-cultura. Eu, humildemente, sou apenas contrário à pseudo-cultura, travestida de consumo de massa; e, claro, uma amante da cultura, em geral.
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