Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Cartola

Fui assistir "Cartola", o documentário. Fui, vi e gostei. Gostei tanto que me emocionei: muito. É uma viagem a um tempo da delicadeza. Da delicadeza, da criatividade, da simpatia e da altivez. Um tempo em que os morros do Rio produziam sambas e não balas perdidas. Um tempo em a música e arte populares eram pura poesia e se impunham, pela beleza, ao mercado e ao público. Um tempo em os artistas pobres tinham orgulho de sua vida, de sua batalha e de sua gente. Um tempo, um Rio e um país que passou. Um tempo em que as rosas mais que exalar perfumes, falavam, cantavam e tornavam a vida mais linda. Cartola foi um rei, de uma dinastia legítima que deixou saudades, alguns príncipes, como Paulinho da Viola e uma obra que quanto mais ouvimos, mais nos apaixona. Emocionante e histórico. Cenas recuperadas, filmes que ajudam a contar a história. Linear como a vida, contraditório como viver. Imperdível.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Nada me é estranho na humanidade

Fui ver "Pecados Íntimos", o filme. Péssimo título na versão brasileira. O original "Crianças pequenas" é muito mais fiel ao enredo. Mas isso é o de menos. O filme é muito bacana. Inteligente, sensível e corajoso. Sem lugares comuns, apesar de tratar de uma série de lugares comuns. Faz pensar e sentir. Aliás, as duas coisas deveriam andar sempre juntas ? Mas o pragmatismo racionalista batalha para separá-las. E com relativo sucesso. A história não conto. Mas o fundamental é que o filme nos faz ver que a tolerância, mais que os juízos de valor, quase sempre apressados, pode nos salvar. Quando dá tempo, claro. Vale por dois anos de boa terapia. Lembrei-me de um texto do psicólogo Inglês Winnicolt (será que não falta ou sobra alguma letra?), discípulo do velho Freud que dizia que para crescer, as crianças precisam superar a noção/certeza de que é o seu choro que faz com que o seio materno apareça. Ou seja, o mundo nunca é nosso umbigo, por mais que nós desejássemos isso. Na atualidade parece que tudo conspira para nos infantilizar eternamente. Somos uma espécie de crianças permanentemente mimadas e incentivadas a desejar tudo, a toda hora e do jeito que queremos. Não sei não, mas a propaganda consumista, que inferniza a nossa cabeça para querermos tudo sempre tem lá a sua parcela de responsabilidade. Mas a maior ainda é nossa: educação, educação, educação, razão e sensibilidade. Que falta coletiva isso nos faz. Bom, vá ver o filme. Ele é infinitamente melhor que esse texto.